No final de agosto, Mário Gobbi sofria pressão no Corinthians para conseguir pelo menos cerca de R$ 20 milhões. O dinheiro era necessário para o clube aderir no dia 25 daquele mês ao Refis (Programa de Recuperação Fiscal criado pelo Governo). Era preciso pagar 20% do débito tributário corintiano em até 5 parcelas. Com a adesão, seria possível evitar a condenação de Andrés Sanchez e mais três cartolas acusados de recolher impostos e não fazer o repasse para a União.
Acuado pelo grupo mais ligado a Andrés do que a ele, o atual presidente gritou por socorro para o vice Luis Paulo Rosenberg. Pediu para ele tentar levantar a quantia junto a Nike. O ex-responsável pelo departamento de marketing corintiano, então, conseguiu renovar antecipadamente o contrato do clube com a fornecedora de material esportivo.
O acordo terminaria em 2022, mas foi espichado até 2025. Como antecipação do novo contrato, entraram nos cofres alvinegros e saíram imediatamente cerca de R$ 20 milhões. A bolada foi usada para iniciar o parcelamento da dívida fiscal. Atualmente, a Nike paga cerca de R$ 30 milhões por ano ao clube. Pelo novo acordo, os últimos três anos valem aproximadamente R$ 40 milhões cada. Mas o alvinegro viu esse valor diminuir com a primeira antecipação. Houve um desconto, como se o clube pagasse juros para antecipar uma receita que só receberia em 2023.
Apesar do desconto na receita, a manobra deu certo. Após o parcelamento já houve uma decisão da Justiça extinguindo o processo no qual Andrés, Raul Corrêa da Silva (diretor de finanças), André Luiz de Oliveira (ex-diretor administrativo) e Roberto de Andrade (ex-diretor de futebol) eram acusados de crime fiscal. Andrade é o candidato apoiado por Andrés na eleição de fevereiro, que definirá o sucessor de Mário Gobbi. O processo tinha potencial para implodir sua candidatura.
A assessoria de imprensa do Corinthians não respondeu ao blog sobre o novo acordo até a publicação deste post. Por sua vez, a Nike afirmou que não comentaria o assunto.






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